Notas Disparadoras para a Criação de Projetos de Ensino em Educação das Artes Visuais

  • Cristian Poletti Cristian Poletti Mossi Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Resumo

O artigo trata da noção de projetos de ensino no campo da educação das artes visuais. Para isso, parte de uma experiência contingente do autor, vivenciada junto a turmas de Estágio em Artes Visuais do Curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como docente, no primeiro semestre de 2016. Propõe alguns disparadores, como notas, para possivelmente inspirar outros/futuros trajetos de ensino. Em um primeiro momento, discute possíveis lugares de criação na docência, entendendo os projetos de ensino como implicação dessa atitude criativa. Em seguida, sugere pontos que podem servir como indicadores para a criação de projetos de ensino de maneira mais geral. Por último, são pensadas quatro dimensões concernentes a projetos de ensino específicos de uma educação em artes visuais que compreendem as imagens como especificidade dessa área do saber, bem como enquanto fenômenos que permitem múltiplas e transversais aprendizagens. O texto é escrito e se apresenta como um arranjo de referências e noções que compõem um ideário singular de docência e, em absoluto, deve ser entendido de forma paradigmática. Trata-se, pois, de uma “tradução”, ou “transcriação” (CORAZZA, 2013), teórico-metodológica a partir de diversas vozes, compreendendo também os resultados iniciais do projeto de pesquisa Docência e criação em educação das artes visuais: povoamentos entre visualidades, leituras e escritas, coordenado pelo autor.

Biografia do Autor

Cristian Poletti Cristian Poletti Mossi, Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) junto ao Departamento de Ensino e Currículo. Possui Doutorado em Educação (2014) pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE, Conceito Capes 5), na linha de pesquisa Educação e Artes e Mestrado em Artes Visuais (2010) pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGART), na linha de pesquisa Arte e Cultura, ambos pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/RS) e com financiamento integral da CAPES. Graduação em Desenho e Plástica - Bacharelado e Licenciatura Plena (2004/2007), Pós-graduação - Especialização em Design para Estamparia (2008) na mesma instituição. Desde 2001 vem desenvolvendo estudos nas áreas de Artes Visuais, Educação e Cultura e atualmente foca suas pesquisas na interface desses campos com as Filosofias da Diferença, tendo interesse especial pelas inter-relações entre criação e docência. É membro pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Arte, Educação e Cultura (GEPAEC) e do Grupo de Estudo e Pesquisa em Arte e Docência - ARTEVERSA, ambos vinculados ao CNPq.

Referências

BARBOSA, Ana Mae. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.
CORAZZA, Sandra Mara (Org.). Didaticário de criação: aula cheia. Porto
Alegre: UFRGS, 2012. (Coleção Escrileituras – Caderno de notas 3.)
______. O que se transcria em educação? Porto Alegre: UFRGS; Doisa,
2013.
______. Planejamento de ensino como estratégia de política cultural. In:
MOREIRA, Antonio Flavio B. (Org.). Currículo: questões atuais. Campinas:
Papirus, 1997. p. 103-143.
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Tradução de Luiz Orlandi e Roberto
Machado. 2. ed. Rio de janeiro: Graal, 2006.
______. Proust e os signos. Tradução de Antonio Piquet e Roberto Machado.
Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003a.
______. Qu’est-ce que l’acte de création? In: ______. Deux régimes de fous:
textes et entrétiens 1975-1995. Paris: Minuit, 2003b. p. 291-302.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia.
Tradução de Ana Lúcia de Oliveira, Aurélio Guerra e Célia Pinto Costa. 2. ed.
Rio de Janeiro: Ed. 34, 2011. v. 1.
______. O que é a filosofia? Tradução de Bento Prado Jr. e Alberto Alonso
Muñoz. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
GALLO, Sílvio. As múltiplas dimensões do aprender... In: CONGRESSO
DE EDUCAÇÃO BÁSICA: aprendizagem e currículo, 2012, Florianópolis.
Anais online... Florianópolis: UFSC, 2012. p. 1-10. Disponível em:
a0ac3b8a140676ef8ae0dbf32e662762.pdf>. Acesso em: jun. 2016.
HERNÁNDEZ, Fernando. A cultura visual como um convite à deslocalização do
olhar e ao reposicionamento do sujeito. Tradução de Danilo de Assis Clímaco.
In: MARTINS, Raimundo; TOURINHO, Irene (Orgs.). Educação da cultura
visual: conceitos e contextos. Santa Maria: Ed. da UFSM, 2011. p. 31-49.
______. Catadores da cultura visual: transformando fragmentos em nova
narrativa educacional. Tradução de Ana Duarte. Porto Alegre: Mediação,
2007.
______. Cultura visual, mudança educativa e projetos de trabalho. Tradução
de Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
KASTRUP, Virginia. Aprendizagem inventiva. Entrevista. Direção: Juliano Reis
Siqueira. Edição: Fábio Purper Machado. Disponível em: com/watch?v=Sz7-cLdgsVk>. Acesso em: set. 2016.
MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias et al. Didática do ensino da arte: a
língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FDT, 1998.
MARTINS, Raimundo. Imagem e processo de interpretação no contexto escolar.
In: RODRIGUES, Edvânia B. T.; ASSIS, Henrique L. (Orgs.). O ensino de artes
visuais: desafios e possibilidades contemporâneas. Goiânia: Secretaria da
Educação e Governo do Estado de Goiás, 2009. p. 99-106.
ZORDAN, Paola. Concepções didáticas e perspectivas teóricas para o ensino
das artes visuais. Revista Linhas, v. 6, n. 2, 2005, p. 1-11. Disponível em: .
Acesso em: set. 2016.
______. Parte I – Um guia. In: ______ (Org.). Iniciação à docência em artes
visuais: guia de experiências. São Leopoldo: Oikos, 2011. p. 19-64.