Uma proposta operatória para a cartografia em pesquisas sobre Educação e Cidade
Resumo
O artigo propõe uma espécie de “caixa de ferramentas” como proposta operatória para a cartografia em pesquisa sobre educação e cidade, inspirando-se na filosofia da diferença. Nessa proposta a cartografia constitui a metodologia, mas o procedimento que a efetiva no campo é a caminhografia urbana. Em vez de descrever a realidade como estática, a cartografia acompanha processos, forças e relações que atravessam o território, tomando o caminhar como prática estética, investigativa e implicada. A caixa organiza-se em três blocos: (1) pistas da cartografia; (2) pistas provisórias da caminhografia urbana; e (3) operadores conceituais que dão coerência ao gesto cartográfico. A proposta é ativada no Parque Itaimbé, em Santa Maria/RS, onde o cartógrafo registra figuras-tipo — expressões subjetivas e móveis que condensam práticas urbanas, afetos e forças de presença — para tornar visíveis informalidades, resistências e invisibilidades urbanas. O interlúdio metodológico narra o deslocamento do mapa impresso à experiência de caminhar, estabelecendo critérios de aproximação e de recusa que resguardam a ética da escuta e evitam congelar a cidade em esquemas. Nas considerações finais, argumenta-se que a “caixa” não é manual, mas convite à invenção situada, pois sustenta leituras finas do território para produzir conhecimento encarnado, útil a pesquisas e práticas educativas territorializadas. Entre os limites, reconhece-se o recorte espacial e a necessidade de desdobramentos em escolas, coletivos e políticas públicas. Em suma, com a cartografia, operada com uma “caixa de ferramentas” em mãos, propõe-se uma educação “desespetacularizada”, que aprende com o território e não apenas sobre ele.
Copyright (c) 2026 Gustavo Gonçalves Cougo, Anelis Rolão Flôres, Marcio Tascheto da Silva

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