Pela lente que se vê: segregação residencial e percepção de diretores e professores sobre alunos em território com concentração de pobreza

Resumo

A pesquisa foi realizada em quatro escolas da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro, que atendem aos anos iniciais do Ensino Fundamental e que estão localizadas em uma grande extensão territorial com concentração de pobreza, na Zona Norte deste município. Teve por objetivo analisar as percepções de gestores e professores sobre a região em que se localizam as escolas e na qual residem seus alunos. Trata-se de pesquisa qualitativa, com realização de quatro entrevistas semiestruturadas com gestores e cinco com professores regentes em turmas de 3º ano do Ensino Fundamental, nas quatro escolas selecionadas. Os resultados apontam para presença de associação entre o território em que se localizam as escolas à violência ou, ainda, associação do território a uma noção de carência de recursos e serviços de bem estar social. A percepção de gestores e professores sobre o território parece se estender aos alunos e suas famílias, sendo as famílias percebidas como ausentes e os alunos como violentos ou pouco interessados em seu processo de escolarização. As expectativas sobre a aprendizagem dos alunos, sobre sua capacidade de adequação aos objetivos escolares, assim como as expectativas de gestores e professores sobre a continuidade da escolarização de seus alunos, manifestaram-se como baixas expectativas.

Biografia do Autor

Regina Lucia Fernandes Albuquerque, UFMG

Doutoranda pelo Programa de Pós graduação em Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte, Minas Gerais), mestre pelo Programa de Pós graduação em Educação da Universidade do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, RJ). Atua com pesquisa no campo da Sociologia da Educação com ênfase em processos escolares, práticas intraescolares, relação professor-aluno, enturmação.

Publicado
2020-07-30