Tecnologia do Mosaico: posições de sujeito disponibilizadas pelos currículos do MST

  • Vândiner Ribeiro Professora adjunta no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Marlucy Alves Paraíso Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

Apresenta-se aqui a tecnologia do mosaico. Ela caracteriza-se por disponibilizar posições de sujeito de linhas fluidas, com infinitas possibilidades de contorno, mas que vez ou outra tenta aprisionar tais posições, em contornos demandados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e por discursos de campos diversos. O argumento desenvolvido é o de que no currículo da nomeada escola diferente do MST aciona-se a tecnologia do mosaico disponibilizando diversas posições de sujeito que são
importantes para a divulgação da escola diferente do MST. Essa tecnologia, por meio das técnicas da coletividade e do campesinamento coloca em funcionamento práticas e exercícios que disponibilizam modos de ser, de agir e de pensar às/aos Sem Terra. Tem-se como aporte teórico os estudos de Michel Foucault, como base metodológica procedimentos da etnografia, como a convivência cotidiana com o grupo investigado, anotações em diário de campo e entrevistas e elementos da análise do discurso de inspiração foucaultiana para as análises das informações. A fluidez da tecnologia do mosaico mostra que as posições de sujeito disponibilizadas nos currículos investigados podem ser flutuantes, justapostas e constantemente recriadas. Há, assim, um processo de criação de si que disponibiliza um modo particular de ser Sem Terra e de ser do campo, um modo de particular de compreender e estar no mundo, de maneira que as pessoas que vivem no campo acabam negociando a sua própria existência. 

Publicado
2018-08-31