Reforma do Ensino Médio no Brasil: o Caso da Disciplina de História e as Implicações para Aprendizagem Histórica

Geyso Dongley Germinari

Resumo


Este artigo visa problematizar as implicações para os processos de aprendizagem histórica de jovens, no contexto a reforma do Ensino Médio, no Brasil, imposta pela Lei nº 13.415/17. Dentre as mudanças estabelecidas destaca-se o fim da obrigatoriedade da oferta da disciplina de História, a qual passa a ser ofertada na área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, em caráter optativo, conforme possibilidades da escola ou sistema de ensino. Em forma de ensaio critica-se a proposta reformista, compreendendo que a flexibilização da obrigatoriedade da disciplina de História no Ensino Médio e a organização curricular em áreas de conhecimento contrapõem-se aos recentes estudos sobre aprendizagem histórica realizados na perspectiva da pesquisa em cognição histórica situada, a qual enfatiza a relevância da concepção disciplinar da ciência da história para formação histórica dos jovens, pois implica diretamente no desenvolvimento do pensamento histórico científico, na construção de múltiplas identidades históricas e na orientação temporal para vida prática.

Palavras-chave: Reforma do Ensino Médio. Disciplina de História. Cognição Histórica.


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