Imaginários brutais

discurso de ódio, representação e necropolítica

Resumo

Este artigo analisa imagens recentes que explicitam a brutalidade do racismo contemporâneo em contextos marcados pela midiatização da cultura e da sociedade, a partir de um olhar opositor (hooks, 2019) e de aportes teóricos de Mbembe (2018; 2020), Butler (2020; 2021), Collins (2019), dentre outros. O estudo examina dois enunciados imagéticos de ampla circulação: um vídeo produzido por inteligência artificial que retrata Barack e Michelle Obama como macacos, divulgado por Donald Trump na plataforma Truth, e uma fotografia de corpos estendidos no chão pela própria comunidade dos Complexos da Penha e do Alemão após a maior chacina policial brasileira. A partir do campo da cultura e da representação, argumenta-se que tais imagens atualizam narrativas supremacistas e discursos de ódio, operando como dispositivos produtores de violência e mantenedores da fixidez estrutural do racismo. Conclui-se que essas visualidades integram o dispositivo de racialidade (CARNEIRO, 2023) que sustenta a hegemonia da branquitude, reafirmando a centralidade das disputas por imaginários na compreensão dos racismos contemporâneos.

Biografia do Autor

Diego de Souza Cotta, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

Doutor e Mestre em Mídia e Cotidiano pela Universidade Federal Fluminense - PPGMC/UFF, na Linha de Pesquisa Linguagens, Representações e Produção de Sentidos. Desenvolve estágio pós-doutoral em Comunicação no PPGCOM/UERJ com bolsa Pós-Doutorado Nota 10 da FAPERJ, na Linha de Pesquisa Cultura das Mídias, Imaginário e Cidade. Graduado em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - ECO/UFRJ, onde foi bolsista do Programa de Educação Tutorial - PET/ECO e coordenador/idealizador das três primeiras edições da Semana da Diversidade Sexual da ECO-UFRJ (2006-2008). Participa do grupo de pesquisa MULTIS, Núcleo de Estudos e Experimentações do Audiovisual e Multimídia do PPGMC-UFF; da Rede JIM - Jornalismo, Imaginário e Memória; e do Lacon - Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo da FCS/UERJ. Cursou a Pós-Graduação Lato Sensu de Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Pesquisou com auxílio de bolsa CAPES, linguagem e produção de sentidos no audiovisual e mídias digitais, com foco em LGBTI+, racismo e direitos humanos, conquistando o 3 lugar do Prêmio Intercom de Comunicação 2024 e sendo finalista do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2024. Autor do livro ''Além de preto, viado: comunhões emocionais e aquilombamento midiático de bichas pretas'' e de artigos sobre sociabilidade LGBTI+ e cidadania de pessoas em situação de vulnerabilidade e extrema violência. Participa ainda da pesquisa ''Comunicando a diversidade: políticas e afetos de marcas cariocas sobre a comunidade LGBTI+'', liderada pelo Prof. Dr. Ricardo Ferreira Freitas (UERJ), supervisor do pós-doc. E foi integrante da pesquisa ''Juventude e Suicídio: percursos midiáticos e suas interfaces com a Educação'', contemplada com Edital FAPERJ de apoio a grupos emergentes de pesquisa no estado do RJ - 2019 e coordenada pela Prof. Dr. Renata Rezende Ribeiro (UFF).

Publicado
2026-07-13
Seção
Artigos Livres