Imaginários brutais
discurso de ódio, representação e necropolítica
Resumo
Este artigo analisa imagens recentes que explicitam a brutalidade do racismo contemporâneo em contextos marcados pela midiatização da cultura e da sociedade, a partir de um olhar opositor (hooks, 2019) e de aportes teóricos de Mbembe (2018; 2020), Butler (2020; 2021), Collins (2019), dentre outros. O estudo examina dois enunciados imagéticos de ampla circulação: um vídeo produzido por inteligência artificial que retrata Barack e Michelle Obama como macacos, divulgado por Donald Trump na plataforma Truth, e uma fotografia de corpos estendidos no chão pela própria comunidade dos Complexos da Penha e do Alemão após a maior chacina policial brasileira. A partir do campo da cultura e da representação, argumenta-se que tais imagens atualizam narrativas supremacistas e discursos de ódio, operando como dispositivos produtores de violência e mantenedores da fixidez estrutural do racismo. Conclui-se que essas visualidades integram o dispositivo de racialidade (CARNEIRO, 2023) que sustenta a hegemonia da branquitude, reafirmando a centralidade das disputas por imaginários na compreensão dos racismos contemporâneos.
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