A espetacularização da violência contra a mulher no telejornalismo gaúcho sob o olhar das câmeras de vigilância (2020–2025)
Resumo
A pesquisa investiga a espetacularização da violência de gênero no telejornalismo do Rio Grande do Sul (Brasil), com foco na transição do testemunho oral para o registro material em vídeo de câmeras de vigilância (CFTV). O objetivo geral é analisar como as imagens de monitoramento operam o paradoxo entre a materialidade probatória jurídica e o mecanismo de geração de audiência televisiva. A fundamentação teórica articula os conceitos de "espetáculo da barbárie" de Muniz Sodré, "sociedade do espetáculo" de Guy Debord e as categorias narratológicas de Gérard Genette. Metodologicamente, realizou-se uma coleta sistemática de dados entre 2020 e 2025 nos principais veículos gaúchos (RBS TV, Record RS, SBT RS), utilizando a técnica do "mês falso" e análise de redes sociais (ARS). Os resultados demonstram uma estrutura de saturação midiática, com aproximadamente 470 inserções televisivas dos casos analisados. Conclui-se que a reiteração exaustiva das imagens em looping promove uma "pedagogia do horror" que, embora acelere a resposta do sistema judiciário, acarreta a revitimização simbólica e a despersonalização das vítimas, transformando o trauma em ativo da economia da atenção.
Copyright (c) 2026 INTERIN

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License. Cedo à revista Interin os direitos autorais de publicação de meu artigo e consultarei o editor científico da revista caso queira republicá-lo depois em livro. O trabalho publicado é considerado colaboração e, portanto, o autor não receberá qualquer remuneração para tal, bem como nada lhe será cobrado em troca para a publicação. Os textos são de responsabilidade de seus autores. Citações e transcrições são permitidas mediante menção às fontes.