A visão de educação infantil nos documentos da UNESCO – o caso Brasil (2000-2005)

  • Angela Mara de Barros Lara Docente do Departamento de Fundamentos da Educação (DFE) da Universidade Estadual de Maringá.

Resumo

O texto aqui apresentado é o resultado da pesquisa desenvolvida no Grupo de Estudos e Pesquisa em Políticas Públicas e Gestão da Educação na América Latina e Caribe – PGEALC, que tem como objetivo mais amplo analisar
as orientações da UNESCO presentes nos documentos propostos para a educação infantil na região latino-americana e caribenha e suas repercussões na política educacional no Brasil. Alguns problemas que viabilizaram a pesquisa: Será que a perspectiva de educação infantil não seria uma
indicação de que, para as crianças em estado de vulnerabilidade, qualquer educação poderia servir? Será que a UNESCO propõe uma educação de pobre para os pobres? Para responder a estas questões, optou-se por trabalhar
com a perspectiva histórica para, numa visão de totalidade da sociedade capitalista, compreender as perspectivas postas para o objeto estudado. Os documentos vinculados à UNESCO estudados foram: Educação e Cuidado na Primeira Infância: grandes desafios, Sintesis Regional de Indicadores de La Primera Infância e Os serviços para a criança de zero a seis anos no Brasil: algumas considerações sobre o atendimento em creches e pré-escolas e sobre a articulação de políticas. Os resultados da pesquisa apontaram que os programas propostos para a atenção às crianças de zero a seis anos são
incompletos, implantados como soluções de emergência, porém extensivos, resultando em atendimento de baixa qualidade. A “população vulnerável” atendida por estes necessita, sim, e tem direito a programas completos e
estáveis como medidas de correção das injustiças que vêm sofrendo histórica e sistematicamente.


Palavras-chave: Educação infantil; UNESCO; Políticas de educação no Brasil.

Biografia do Autor

Angela Mara de Barros Lara, Docente do Departamento de Fundamentos da Educação (DFE) da Universidade Estadual de Maringá.

Doutora em Educação pela Universidade Estadual Paulista, campus Marília. Docente do Departamento de Fundamentos da Educação (DFE) da Universidade Estadual de Maringá.

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Publicado
2011-11-15