A microfísica dos corpos na escola

  • Kelin Valeirão Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Instituto de Filosofia, Sociologia e Política. Departamento de Filosofia.
  • Avelino da Rosa Oliveira Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Faculdade de Educação. Departamento de Fundamentos da Educação.

Resumo

O presente artigo trata da escola, grande máquina de vigilância da modernidade, produto de um longo processo histórico que a coloca como o lugar privilegiado, exclusivo e legitimado de saber. É o local onde, através do ato de educar, os sujeitos são tirados de seu estado de selvageria. Num primeiro momento, o artigo analisa a escola enquanto instituição disciplinar, principalmente quando surgem, nos séculos XVII e XVIII, as chamadas disciplinas, cujo objetivo era tornar a criança um corpo dócil e útil ao corpo social, e a forma como estas vêm sendo utilizadas no campo da Educação. Num segundo momento, trata da transição da sociedade disciplinar para a sociedade de controle. Por fim, defende que a solidez moderna está dando lugar à liquidez pós-moderna. A sociedade disciplinar, que buscava a estabilidade através da disciplina e da docilidade dos corpos, está dando lugar à sociedade de controle, de modo que a escola está cada vez menos preocupada com a produção de corpos dóceis e mais ocupada com a fabricação de corpos flexíveis, corpos que saibam jogar o jogo do livre-mercado.


Palavras-chave: Disciplina. Corpo. Escola.

Biografia do Autor

Kelin Valeirão, Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Instituto de Filosofia, Sociologia e Política. Departamento de Filosofia.
Licenciatura em Filosofia (2005), Especialização em Filosofia Moral e Política (2007), Mestrado em Educação (2009) e Doutorado em Educação (2014) com estágio de doutoramento no Departamento de Filosofia da Universidade Clássica de Lisboa/ Portugal sob a co-orientação do prof. Dr. Nuno Nabais. Atualmente é professora do Departamento de Filosofia, IFISP/UFPel. Participa do Grupo de Pesquisa Filosofia, Educação e Práxis Social (FEPráxiS) e do Grupo de Estudos Foucault (GEF), buscando a vinculação entre a Filosofia e a Educação. Dentre os temas em estudo evidenciam-se: poder, biopoder, biopolítica, sociedade de normalização, loucura. É integrante do projeto de Cooperação Internacional CAPES/AULP com a Universidade Eduardo Mondlane de Moçambique/África.
Avelino da Rosa Oliveira, Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Faculdade de Educação. Departamento de Fundamentos da Educação.

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Católica de Pelotas (1986), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1996) e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002). Atualmente, é professor titular da Universidade Federal de Pelotas. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: filosofia da educação, karl marx, exclusão, max horkheimer e liberdade.

 

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Publicado
2018-03-05