Trabalho E Adoecimento Docente : Tensões E Conflitos

  • Kamylla Pereira Borges Universidade de Brasília

Resumo

Este estudo busca discutir a relação entre o trabalho docente e a saúde dos professores, na atual conjuntura da precarização e alienação do trabalho. Para tanto partimos da realidade vivida e pensada por professores de duas instituições públicas de uma cidade do interior de Goiás, uma da rede estadual e outra da rede municipal, aferida em uma coleta de dados empíricos por meio de questionários e entrevista semi-estruturada. Os dados foram analisados a luz dos princípios do Materialismo Histórico Dialético, buscando articular o objeto de pesquisa e seus múltiplos determinantes. Podemos inferir que a precarização e intensificação das condições de trabalho dos educadores, resultantes de um processo de alienação, contribuem para que manifestações de problemas de saúde se tornem frequentes e os professores muitas vezes têm que conviver com sinais e sintomas patológicos de diversos tipos.

Biografia do Autor

Kamylla Pereira Borges, Universidade de Brasília

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Paulista (2012), graduação em Fisioterapia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2004), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Goiás (2011) e doutorado em Ensino na Saúde pela Universidade de Brasília (2016). Tem experiência na área de docência em Ensino Superior, com ênfase na saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: trabalho docente, educação, formação, classe social e saúde.

 

Referências

ARAUJO, T. M. et al. Diferenciais de gênero no trabalho docente e repercussões
sobre a saúde. Ciência e Saúde Coletiva, v.11,n.4, p.1117 -1129, 2006.
BRAGA, A.M.; CANÔAS, J.W. Reflexões acerca do tempo de não trabalho.
Serviço Social & Realidade, Franca, v.177, n. 2, p. 27-45, 2008.
BRASIL. Ministério da Saúde. VIII Conferência Nacional de Saúde. Brasília:
Ministério da Saúde, 1986
CODO, Wanderley. Educação: carinho e trabalho. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.
432p
CONTRERAS, Jose. Autonomia de Professores. São Paulo: Cortez, 2002
DELCOR, N.S. et al. Condições de trabalho e saúde dos professores da rede
particular de ensino de Vitória da Conquista, Bahia, Brasil. Cad. Saúde Pública,
Rio de Janeiro, v.20, n.1, p. 187 -196, jan-fev, 2004.
DEDECCA, Claúdio Salvadori. Tempo, Trabalho e Gênero. In: COSTA, A.A.
et al (org). Reconfiguração das relações de gênero no trabalho. São Paulo:
CUT Brasil, 2004. 144pENGUITA, Mariano Fernández. O discurso da qualidade e a qualidade do
discurso. In:GENTILLI, Pablo A.A.; SILVA, Tomaz Tadeu da (org). Neoliberalismo,
qualidade total e educação. Petropólis, RJ: Vozes, 1994, p.93-110.
FONSECA, Marília. Banco Mundial como referência para a justiça social no
mundo: evidências do caso brasileiro. In: Revista de Educação da USP, vol.24,
jan/jun, 1998.
GASPARINI, S. M; BARRETO, S. M; ASSUNÇÃO, A. A. O Professor as
condições de trabalho e os efeitos sobre sua saúde. Educação e Pesquisa, São
Paulo, v. 31, n. 2, p. 189-199, maio/ago. 2005.
HYPOLITO, A.M. Trabalho docente e profissionalização: sonho prometido ou
sonho negado. In: VEIGA, I.P.A (org.) Desmitificando a profissionalização do
magistério. Campinas, SP: Papirus. 1999.
HYPOLITO, Álvaro Moreira; VIEIRA, J.S;PIZZI, L.C.V. Reestruturação
curricular e auto intensificação do trabalho docente. Currículo sem fronteiras,
v.9,n.2,p.100-112, jul/dez.2009.
LÊDA, D.B. “Correndo atrás”: As repercussões da economia capitalista flexível
no cotidiano do trabalho docente. In. Anais VI Seminário da REDESTRADO –
Regulação Educacional e Trabalho Docente, 06 e 07 de novembro de 2006
MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo:Martin Claret, 2001.
198p
______. O capital. Livro I, capítulo VI( Inédito). Livraria Editora Ciências Humans
Ltda. São Paulo, 1978.
MESZÁROS, Istvan. Para Além do Capital. 3ºed. Boitempo, 2009
NORONHA, O. M. Globalização, Mundialização e Educação. In: LUCENA,
C. (org). Capitalismo, Estado e Educação. Campinas, SP: Editora Alínea,
2008, p.13-42
OLIVEIRA, D.A. Mudanças na organização e gestão do trabalho na escola.
In:OLIVEIRA, D.A e ROSAR, M.F.F. Política e Gestão da educação. Belo
Horizonte: Autentica, 2002.
______. Educação básica. Gestão do trabalho e da pobreza. Petrópolis: Vozes,
2000.
______. Política educacional e a re-estruturação do trabalho docente: reflexões
sobre o contexto latino-americano. Educ. Soc., Campinas, v.28, n.99, p.355-
375, maio/ago. 2007. Disponível em : http://www.cedes.unicamp.br Acesso
em 20/01/2011.OLIVEIRA, É.C.S.; MARTINS, S.T.F. “Violência, sociedade e escola: da recusa
do diálogo à falência da palavra”. Psicologia & Sociedade; v.19, n.1, p. 90
PARO, V.H. Administração Escolar:introdução crítica. 14ºed. São Paulo:
Cortez, 2006
PASCHOALINO, J.B de Q. O Professor desencantado; matizes do trabalho
docente. Belo Horizonte: Armazém de Idéias, 2009. 152p.
PORTO,L.A et AL. Doenças ocupacionais em professores atendidos pelo centro
de Estudos da Saúde do Trabalhador (CESAT). Rev. Baiana de Saúde Pública,
v.28, n.1, p.33-49, jan-jun, 2004.
REIS, E.J.F.B. et AL. Trabalho e distúrbios psíquicos em professores da rede
municipal de Vitória da conquista, Bahia, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de
Janeiro, v.21, n.5, p. 1480-1490, set-out. 2005.
SAVIANI, D. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez: autores associados,
1983
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-critica. 7ªed.Campinas, SP: Autores
Associados,1991.
SAVIANI, Dermeval. Perspectiva marxiana do problema subjetividadeintersubjetividade.
In. DUARTE, Newton (org). Crítica ao fetichismo da
individualidade. Campinas, SP: Autores Associados, 2004, p. 21- 52
SILVA, Andréia Ferreira da. Plano de desenvolvimento da Educação: avaliação
da educação básica e desempenho docente. Inter-Ação, Goiânia, v. 35, n.2,
p.415-435, jul/dez. 2010.
SILVA, H.L.F da. As trabalhadoras da educação infantil e a construção de uma
identidade política. 2006. Dissertação (Mestrado) Faculdade de Educação,
Universidade Federal de Goiás.
Publicado
2017-05-26