Sistema Educacional Cubano: Fatores Explicativos e Reprodutibilidade em outras Formações Sociais

  • Remo Moreira Brito Bastos

Resumo

Este artigo consiste em uma análise do sistema educacional cubano instituído com a vitória da Revolução, em 1959, perpassando a contextualização histórica da transição de um regime socioeconômico capitalista dependente para outro regime, autodeclarado de caráter socialista, em 1961, e os principais fatores explicativos da consistência e do alto desempenho daquele modelo educacional, dentre os quais se pode destacar: o investimento sustentado em educação, sempre com elevado percentual do Produto Interno Bruto (o maior do mundo em 2012, segundo o Banco Mundial), a excelência da formação de seu corpo docente, o ambiente social favorável à cultura e à educação e os êxitos obtidos na redução das disparidades salariais, na diminuição do desemprego e na universalização dos serviços de educação e saúde de qualidade, os quais produziram a base para o que o economista Martin Carnoy chama de “capital social gerado pelo Estado”. O objetivo principal do trabalho consiste em fornecer evidências empíricas da viabilidade e da sustentabilidade econômica e social de modelos educacionais antípodas aos seus congêneres devotados aos mecanismos de mercado. Para isso, utilizou-se como método análise bibliográfica e documental. Conclui-se que apesar das inquestionáveis conquistas daquele país na área educacional, a reprodutibilidade desses brilhantes resultados em outras nações não pode ocorrer de maneira mecânica, numa simples transposição das medidas, sem que se leve em consideração o contexto social, histórico, cultural e econômico. Não obstante, tal precaução não deve elidir ou mesmo atenuar o potencial heurístico do estudo desses processos, com vistas a subsidiar a melhoria dos sistemas educacionais de países em condições análogas daquela nação caribenha.
Publicado
2017-05-13
Seção
Artigos de Fluxo Contínuo