O abrasileiramento infantil: livros didáticos e currículo da escola primária no estado novo

  • Ademir Valdir dos Santos
  • Samara Elisana Nicareta

Resumo

No período do Estado Novo (1937-1945) fortes expressões nacionalistas foram elaboradas. Este nacionalismo foi propulsor de diversas ações. O Ministério da Educação e Saúde gerou uma série de medidas legais para a educação brasileira. O currículo foi transformado, orientado por políticas educacionais contendo prescrições para as práticas pedagógicas. Discutimos a caracterização do projeto nacionalista e sua inserção nas escolas primárias de regiões brasileiras consideradas como quistos étnicos, por meio das transformações curriculares preconizadas e materializadas nos conteúdos do material didático. Foram analisados manuais e livros didáticos utilizados para alfabetização e no ensino de Língua Portuguesa, História, Geografia e Educação Moral e Cívica – fontes primárias de quatro escolas catarinenses de regiões rurais (antigas escolas alemãs). Explicita-se a concepção formativa que a nacionalização vislumbrou para que a utilização de manuais e livros didáticos contribuísse na geração de um patriotismo a contrapelo das influências étnicas historicamente elaboradas nas comunidades de imigrantes alemães. Verificou-se que a docência foi foco do projeto ideológico, estabelecendo-se condições para que os professores agissem como veiculadores da nacionalização, transformando as crianças em valorosos patriotas, abrasileirando-as. O currículo apresentava às crianças modelos ideais e sua conduta devotada às causas da nação, incorporando as virtudes autênticas do brasileiro e refutando expressões culturais alienígenas.

Publicado
2018-11-06