A microfísica dos corpos na escola

Kelin Valeirão, Avelino da Rosa Oliveira

Resumo


O presente artigo trata da escola, grande máquina de vigilância da modernidade, produto de um longo processo histórico que a coloca como o lugar privilegiado, exclusivo e legitimado de saber. É o local onde, através do ato de educar, os sujeitos são tirados de seu estado de selvageria. Num primeiro momento, o artigo analisa a escola enquanto instituição disciplinar, principalmente quando surgem, nos séculos XVII e XVIII, as chamadas disciplinas, cujo objetivo era tornar a criança um corpo dócil e útil ao corpo social, e a forma como estas vêm sendo utilizadas no campo da Educação. Num segundo momento, trata da transição da sociedade disciplinar para a sociedade de controle. Por fim, defende que a solidez moderna está dando lugar à liquidez pós-moderna. A sociedade disciplinar, que buscava a estabilidade através da disciplina e da docilidade dos corpos, está dando lugar à sociedade de controle, de modo que a escola está cada vez menos preocupada com a produção de corpos dóceis e mais ocupada com a fabricação de corpos flexíveis, corpos que saibam jogar o jogo do livre-mercado.


Palavras-chave: Disciplina. Corpo. Escola.


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