O viés documental nas fotografias de Claro Jansson sobre a Guerra do Contestado

  • Lúcio Kürten dos Passos

Resumo

Acontecimentos históricos geradores de impacto social estão diretamente ligados ao surgimento de movimentos,
influências e tendências. Nas primeiras décadas do século XX, com o aperfeiçoamento das técnicas de captura
fotográfica, houve uma crescente produção de imagens. A expansão da ferrovia pelo Brasil fez com que se
criassem novas oportunidades de trabalho, incluindo o ofício da fotografia. Sendo assim, entre os anos de 1912
e 1916 eclodiu um evento bélico de proporções catastróficas na fronteira entre os Estados do Paraná e Santa
Catarina: a Guerra do Contestado. Embora não tenha recebido a mesma atenção de outros fatos similares
da história do Brasil, a referida Guerra foi documentada, mesmo que, por um ponto de vista aparentemente
condicionado, pelo fotógrafo Claro Jansson. Suas imagens revelam durante o período em que residiu na região do
conflito, a exploração de recursos naturais, a campanha do exército e, também, um pequeno ensaio com um dos
líderes dos revoltosos, após a rendição. Algumas delas foram agrupadas como Narrativas Visuais, encaixando-se
tal como os conceitos de Peter Burke (2004). O artigo aborda, por meio da análise da imagem fotográfica, qual
a relação com os fotografados e de que forma essa sintaxe visual pode ter contribuído para legitimar a imagem
fotográfica como fonte histórica de referência sobre o episódio e o viés estilístico adotado por Jansson.