Os Jesuítas como atores privilegiados na comunicação de imagens da China para a Europa: século XVI a XVIII

  • Carmen Lícia Palazzo

Resumo

O presente artigo trata do papel dos jesuítas na comunicação de informações sobre o império chinês entre os
séculos XVI e XVIII, informações estas que foram parte essencial na construção do imaginário ocidental sobre
o Extremo Oriente. Os escritos dos inacianos circularam entre a elite letrada europeia, transmitindo múltiplas
visões que refletiam seu fascínio por vários aspectos da sociedade chinesa. As fontes de pesquisa utilizadas
se constituem nos relatos e cartas produzidos pelos jesuítas nos longos anos nos quais foram protagonistas,
junto com o mandarinato chinês, de um rico processo de encontro de culturas. A análise das referidas fontes
levou à conclusão de que os padres da Companhia de Jesus, em suas muitas atividades, integraram-se de modo
excepcional na sociedade chinesa, alcançando posições de prestígio junto a diversos imperadores das dinastias
Ming e Qing. Tal integração refletiu-se em suas opiniões muitas vezes favoráveis ao Confucionismo e a diversas
práticas e representações do Império do Meio, o que atraiu críticas, em geral vindas de outras ordens que não
aprovavam o método inaciano de missionação. Permaneceu, porém, no imaginário ocidental, o fascínio pela
China largamente motivado pelas informações dos jesuítas.