Chamada de artigos para o volume 23, n. 1 (2018) - dossiê temático: Remediação, bricolagem, inovação

O conceito de remediação (BOLTER & GRUSIN) tem sido bastante empregado no campo da comunicação, sobretudo nos estudos do jornalismo, embora seu processo se manifeste em várias áreas do conhecimento e da cultura humanos.

Alguns autores o concebem a partir de um simples acúmulo de traços e aspectos de meios, discursos ou linguagens tradicionais em novas produções. Outros condicionam sua pertinência ao processo de convergência (JENKINS), considerando que, se toda convergência resulta de uma remediação, nem toda remediação conduz a formas convergentes. 

Em que pese a associação dessas ideias a teóricos mais recentes, no entanto, um fenômeno similar já vinha sendo investigado por outros autores, sob a denominação de "bricolagem", a partir, sobretudo, das pesquisas de Lévi-Strauss no campo da antropologia. O conceito foi retomado por Jean-Marie Floch na vertente de compreensão da bricolagem como a apropriação de características de discursos/objetos anteriores na criação de novas produções simbólicas, uma criação que se revela, segundo seu ponto de vista, dupla, na medida em que faz emergir algo ressemantizado, ao mesmo passo que expõe uma identidade do sujeito "bricoleur " a partir das escolhas que efetua. Atualiza-se nessa reflexão uma consequência importante do achado teórico de Lévi-Strauss, a de que a "bricolagem" é inerente à própria condição humana.

Floch busca examiná-la em diversos objetos da cultura, sobretudo em suas obras "Identités visuelles" e "Sémiotique, marketing et communication", transitando pelos domínios do design, da publicidade, do jornalismo, do marketing, da moda, da arte, entre outros. Uma vertente do conceito de bricolagem, também investigado por Lévi-Strauss, tem se articulado aos estudos do jornalismo no sentido de um profissional (ou um leitor/espectador/usuário) que desenvolve suas competências em ato. Outras leituras podem, igualmente, existir, articulando os três conceitos aqui evocados ou inter-relacionando-os a outros campos epistêmicos.

Com o incremento das potencialidades tecnológicas no campo dos fluxos digitais, e as decorrentes inovações propiciadas para a constituição de redes sociais digitais, interatividade, multimidialidade, constituição de base de dados, entre outras, as possibilidades de práticas de remediação, "bricolagem", se multiplicam, favorecendo recriações tanto homologadas a formas estereotipadas quanto a seus desvelamentos e desconstruções.

Esse fenômeno se estende a diversos objetos e processos socioculturais, por isso o convite para reflexões, no dossiê temático, sobre suas formas de manifestação na contemporaneidade voltadas a práticas de interação e comunicação.

 

Editoras:

Kati Caetano (Universidade Tuiuti do Paraná/UTP/BR)

Maria Giulia Dondero (Université de Liège/ULG/BE)

Rayya Roumanos (Université Bordeaux Montaigne/FR)

 

Submissões – 10 de julho a 16 de setembro de 2017
Publicação –  janeiro de 2018

Remédiation, bricolage et innovation 

 

Le concept de « remédiation » (Bolter et Grusin) largement utilisé dans le champ de la communication, en particulier dans les études sur le journalisme, reste peu exploité dans d’autres domaines de la connaissance alors même que les phénomènes qu’il entend éclairer s’y déploient largement. Entendue comme un redéploiement après correction d’un médium devenu inopérant (McLuhan), la remédiation suppose, à minima, la présence d’une transformation, d’un réarrangement ou même d’une augmentation au niveau des pratiques et des langages médiatiques antérieurs.

Certains auteurs s’appuient sur ce concept pour étudier les logiques évolutives des médias dans la mesure où il rend explicite les processus de réajustements constants. Au-delà de l’analyse des traces de l’ancien dans le récent, la remédiation permet également de rendre compte de l’impact des nouvelles propositions médiatiques sur celles qui les précèdent.

Jenkins, pour sa part, s’intéresse à ce phénomène dans son articulation avec les processus de convergence qui en sont les résultantes sans en être la condition. Si toute convergence découle d’un phénomène de remédiation, toute remédiation, précise-t-il, ne mène pas nécessairement à la convergence.

Pour analyser les transformations médiatiques, d’autres auteurs privilégient le concept de « bricolage » emprunté à Lévi-Strauss dans son ouvrage de référence, « La pensée sauvage ». Jean-Marie Floch, par exemple, emploie ce terme pour expliquer les processus d’appropriation de discours et d’objets antérieurs lors de la création de nouvelles productions symboliques. Selon lui, l’acte créatif ne se contente pas de « resémantiser » l’objet ainsi formé, mais expose, de manière concomitante, l’identité même du sujet « bricoleur » en fonction des choix qu’il opère. Dans « Identités visuelles » et « Sémiotiques, marketing et communication », Floch s’appuie sur les analyses de Levi-Strauss pour qui les phénomènes de bricolage sont inhérents à la condition humaine afin d’examiner divers objets culturels circulant dans des champs aussi variés que le journalisme, la publicité, le marketing, la mode, ou l'art. Appliqué aux études sur le journalisme la conception lévi-straussienne du bricolage permet en outre d’explorer, au-delà des pratiques professionnelles des créateurs, celle des récepteurs/utilisateurs qui développent eux aussi des compétences en acte.

Selon le champ épistémique considéré, d’autres interprétations et d’autres articulations entre les trois concepts de la remédiation, convergence et du bricolage peuvent émerger. Néanmoins, dans le champ de la communication, leur valeur heuristique est indéniable puisqu’ils permettent de questionner des processus aussi divers que l’inflation technologique, l’accélération des flux, l’émergence des réseaux sociaux, l’accroissement des phénomènes d’interactivité et de multimédialité, ou encore l’apparition récente du big data.

Ce dossier thématique est une invitation à la réflexion autour de ces multiples phénomènes d’interaction et de communication qui engagent divers objets et processus socioculturels.

 

Éditeurs

Kati Caetano (Universidade Tuiuti do Paraná/UTP/BR)

Maria Giulia Dondero (Université de Liège/ULG/BE)

Rayya Roumanos (Université Bordeaux Montaigne/FR)