A Construção de Políticas Educacionais para a Educação do e no Campo Impulsionadas pelo MST no Estado do Paraná a partir da Década de 1990

Caroline Mari Oliveira, Maria Aparecida Cecílio

Resumo


No presente artigo tecemos reflexões sobre a atuação dos Movimentos Sociais do Campo, em especial, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, na luta social travada contra o Estado capitalista e, sobretudo contra o ideário neoliberal para conquista de políticas educacionais para a Educação do e no Campo, tomando como referência o Estado do Paraná, a partir da década de 1990. Este artigo constitui a temática da dissertação de Mestrado, em desenvolvimento, que tem como aporte teórico-metodológico adotado o materialismo histórico, por meio do qual analisamos o objeto de estudo em articulação com as bases materiais e históricas do período de referência (década de 1990). Optamos em analisar fontes bibliográficas e documentais que nos apontaram como resultado parcial a compreensão de que os sujeitos sociais do campo, como o MST, a partir da década de 1990 no Brasil articularam processos de luta contra o Estado capitalista para instituição e garantia dos direitos à educação dos camponeses, que estiveram marginalizados do processo educacional até o século XX. A justificativa da marginalização dos pobres, principalmente, dos camponeses no período pós-Revolução de 1930 se configurou por uma tese economicista de que estes não seriam os principais sujeitos a construir o desenvolvimento da nação. Entendemos, ainda, que diante dessa marginalização causada pelo desenvolvimento capitalista, a Educação do e no campo propõe a emancipação humana, colaborando com a inserção da pauta reivindicativa da luta social travada pela classe trabalhadora do campo que se apoia na concepção de que a educação compreenda a materialidade histórica para além dos aportes do capital.

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